terça-feira, março 18, 2008

Crise de energia e de medidas enérgicas

por Anselmo Heidrich


Para atingir os intentos revolucionários, os terroristas das Farc atacam a infra-estrutura dos países da região.



A América Latina está sendo acometida por uma crise anunciada. Enquanto o mundo vive às voltas com terrorismos, separatismos, nosso principal problema não muda desde os tempos coloniais. A saber, o excesso de centralismo governamental que leva a efeitos perversos, como a falta de investimento em itens que realmente importam. Como se isto não bastasse, ongs de fachada e outras nem tanto mantêm ações contra o empreendedorismo na região. A bola da vez é a crise energética...

O setor elétrico no Brasil está na dependência de que o regime de chuvas permaneça estável, pois a oferta de gás natural da Argentina (que já negou a mesma para o Chile) e da Bolívia, simplesmente, não é confiável. Reduções de armazenamento nos reservatórias de nossas hidroelétricas (10% no Sudeste e 17% no Nordeste) ocorreram na esteira das dificuldades de importação do recurso alternativo.

Mas, outro elemento se soma à isto, a pressão de ongs ambientalistas e indigenistas contrárias à instalação de novas usinas na Amazônia, cuja bacia hidrográfica apresenta o maior potencial para expansão. O que antigamente era inviável, a "estocagem de energia" através da construção de reservatórias e novas linhas de transmissão que permitem a interligação no território nacional. A falta de investimento no setor já reduziu a capacidade de armazenamento de água em mais de três vezes, se considerarmos o período que vai de 1970 a 2003.

Parece que as lideranças latino-americanas sofrem de um mal comum na perda do senso de responsabilidade na viabilização da infra-estrutura. Restrições de consumo de energia têm limitado horas de trabalho nos portos argentinos. O Porto de Rosário, por exemplo, não funciona à noite para economizar energia (Newsletter diária n.º 1141 - 29/02/2008 - http://www.amanha.com.br/).

A crise não é exclusividade das maiores economias regionais. Pequenos estados também não têm sido "perdoados" pelo excesso de burocratismo estatal que não acompanha as demandas por energia... Desde meados do ano passado, os nicaragüenses já têm utilizado a palavra "alumbrones" por oposição a seus "apagones". O país vive com racionamento de 12 horas ou mais ao dia. A rotina diária vai de danos a medicamentos que precisam de refrigeração aos bairros pobres que organizam milícias para se defender de delinqüentes.

Segundo Álvaro Ríos Roca, ex-secretário executivo da Organização Latino-americana de Energia (Olade) e ex-ministro de Hidrocarbonetos da Bolívia, nos últimos 12 meses, pelo menos 14 países na América Latina têm passado por alguma crise energética. Não dá para culpar os climas distintos que vigoram em um território tão extenso. Trata-se de uma obsolescência geral e crescente na região ao que, não por acaso, tem em seus modelos de estados, um centralismo exacerbado.

A quem interessa isto?

Não se trata de uma situação destituída de sentido e ação perpetrada por ideólogos. Além do obstáculo produzido via meandros burocráticos que a própria democracia consolidou ao viabilizar "interesses sociais", muitas vezes quem fala em nome da "sociedade" são setores que lucram politicamente com o caos. De forma mais direta e ostensiva, esta tem sido a atuação de grupos terroristas. Após nove ataques das Farc ao seu oleoduto transandino, a companhia colombiana de petróleo Ecopetrol paralisou suas atividades. Ataques estes feitos com tiros de fuzil e outros com dinamite.

Uma paralisação no fornecimento de petróleo na Colômbia não conviria ao Senhor Hugo Chávez?

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quarta-feira, dezembro 12, 2007

Abrindo os Andes em meio à névoa latino-americana

por Anselmo Heidrich


Nesta semana, Carlos Heitor Cony em seu comentário na BandNews disse que como quase metade do eleitorado venezuelano não foi votar é porque a população “está se lixando” para a política e que, afinal, “a Venezuela não é tão politizada assim...” E que Chávez encontrará outro jeito para se perpetuar no poder. Ora, então a política é que “está se lixando” para a população e não o contrário. Ou melhor, o fato de haver grande abstenção significa desinteresse ou desesperança?

O fato é que a América Latina não aponta para um unívoco sentido das mudanças. Há poucos dias, o congresso peruano aprovou ontem o Tratado de Livre Comércio (TLC) com os EUA. A partir de agora poderemos contar com outro país latino-americano, além do Chile, a trilhar o caminho do desenvolvimento sustentável. E, apesar das críticas corriqueiras e sistemáticas que conhecemos a este tipo de acordo como “vão faltar alimentos ao mercado interno, pois vão preferir exportar” ou “alguns agricultores não resistirão à mudança, pois nem tudo será exportado”, o que vi em matéria da CNN Internacional foi animador... Os peruanos estão otimistas com o acordo. E, de mais a mais, se nem todos os agricultores terão suas commodities exportadas, parece óbvio que continuarão a vender ao mercado interno. Como pode se falar então em desabastecimento? Os argumentos antiliberais dão voltas e mais voltas e repetem seus ilógicos mantras.

Em meio a uma América Latina efervescente onde um Chávez não vai descansar em tentar amarrar a Constituição venezuelana aos seus intentos de perenidade no poder, uma Bolívia em dilaceração, uma galopante carga tributária brasileira, os desvios de bilhões de reais a milhares de ONGs sem critério de transparência, os desmandos de ‘movimentos sociais’, um narcotráfico que se enraíza nos poros da sociedade, nosso governo acaba de aprovar o totalitário Projeto de Lei 29/2007 que obriga as TVs por assinatura a terem metade de sua programação com o conhecido lixo da programação nacional.

Realmente, há várias razões para rejeitar, in limine, o mais recente PL votado por este governo que obriga os canais de TV por assinatura a veicularem 50% de programação nacional. Entre outras por ficarmos reféns obnubilados dos Conys da vida...

domingo, novembro 25, 2007

Apagão mental

por Anselmo Heidrich


Nas duas últimas semanas, o Brasil este às voltas com um revival nacional-desenvolvimentista. A descoberta do Campo de Tupi, uma reserva de petróleo gigante incrustada abaixo de espessa camada de sal submerso, trouxe novamente as esperanças de “independência energética” ao país.

Ao comentar o salto da posição brasileira em reservas mundiais, a Carta Capital não poupou elogios à estatal e pretensões à entrada no seleto clube dos produtores (e exportadores) mundiais:

“É como se o sonho de Monteiro Lobato se realizasse com juros – ainda que ele jamais imaginasse que o petróleo pudesse ser extraído de um local como esse. Seu modelo eram os EUA (...)”

Ocorre que Monteiro Lobato, quem viveu nos EUA de 1927 a 1931, nutria admiração pelo modelo americano não apenas pela posse de jazidas petrolíferas, mas pela sua política em relação aos combustíveis fósseis. Em outras palavras, não é a simples posição em um ranking mundial que garantirá uma melhor qualidade de vida e consumo aos brasileiros, mas sim o acesso aos seus derivados em melhores condições de mercado.

Sem a concorrência que caracteriza a produção petrolífera interna nos EUA, os atrasos na produção brasileira têm uma causa objetiva: falta de competição. Como relatou o jornalista Vitor Vieria do site VideVersus.com.Br:

“O aumento previsto da produção da Petrobras foi afetado pelos atrasos na entrada de plataformas e pela queda de produção dos campos mais antigos da estatal, informou a companhia. A produção média de petróleo em campos nacionais no terceiro trimestre foi de 1,797 milhão de barris/dia, resultado 1% acima dos 1,779 milhão de barris/dia verificados de julho a setembro de 2006. O gerente de Exploração e Produção da companhia, Francisco Nepomuceno, admitiu que os atrasos na entrada de novos sistemas vêm contribuindo para o baixo crescimento da produção ao longo deste ano.”

Ainda neste ano, o lucro líquido da Petrobrás teve queda de 21% e, a tirar por sua dependência e influência da base sindical da CUT. A solução e medida lógicas que consistiriam na venda da parte do estado, o que dificilmente ocorrerá em nossa “pátria dos sindicatos”. O modus operandi da estatal ainda persiste no monopólio (real, não mais, apenas legal) da produção de petróleo no país. Para que este quadro de estagnação sofresse alguma reviravolta, sem as medidas liberalizantes necessárias, só mesmo com achados fornecidos por nosso subsolo. Ademais, as declarações proféticas de nossa Ministra-Chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff de que o país virá a se tornar um exportador de petróleo foram flagrantemente desmentidas por Fernando Siqueira, diretor da Associação de Engenheiros da Petrobrás (AEPET):

“O Brasil não pode exportar petróleo porque não tem reservas para isso. O País tem que guardar as reservas que tem e procurar investir maciçamente em fontes alternativas. O Brasil é o País do mundo que tem mais condição de substituir petróleo por energias renováveis”.

A bem da verdade, toda esta campanha de marketing político (provavelmente, para capitalizar apoio a um terceiro mandato) serve também para desviar atenção do problema energético atual, o “apagão do gás”. Em 13 de junho de 2005, informava o Valor Econômico:

“Na reunião com a Fiesp, Dilma Rousseff também informou que a Petrobras deverá focar seu objetivo na antecipação de 2009 para 2007 da produção de gás do campo de Mexilhão, na Bacia de Santos, disponibilizando 12 milhões de metros cúbicos diários do insumo; e de outros 10 milhões de metros cúbicos por dia da Bacia do Espírito Santo também em 2007 (...)”.

Bem, o ano de 2007 está se indo e nada de gás. Pelo contrário, nosso presidente teve que, recentemente, mendigar a Evo Morales que mantenha o fornecimento de gás ao Brasil, por ocasião da XVII Cúpula Ibero-Americana.

Quando o próprio diretor da ANEEL, Jerson Kelman diz que o IBAMA obstaculiza as obras que seriam necessárias para o desenvolvimento nacional ao interferir em seara que não é da sua competência, indo muito além da exigência de licenciamento ambiental[1], vemos que a burocracia, bem como a ameaça ao status jurídico da propriedade privada e o populismo desenfreado de nosso Executivo corroboram para que retornemos à época das lamparinas. Antes de um apagão energético, o que temos é um verdadeiro “apagão mental” de nossa elite política.


[1] Cf.: “Uma luz no fim do apagão” em http://www.ilhacap.com.br/ - edição 38, novembro de 2007.

segunda-feira, setembro 25, 2006

E do que Ele Sabia?

Por Klauber Cristofen Pires

Esta é uma semana contundentemente decisiva para o Brasil. Mais do que o entristecimento que dói na alma, pelo voto de cabresto do século XXI, institucionalizado e aprovado pelas massas que abdicaram da própria dignidade, persevera a preocupação de pensar que, se não conseguirmos provocar uma mudança de curso, este comportamento passivista e esmoléu venha a sedimentar-se definitivamente na alma da população, garantindo a manutenção de regimes populistas e autoritaristas.

Não é uma questão de política, apenas. É um mergulho cultural, praticamente civilizacional, do qual é razoável pensar que os vivos de hoje não vejam o retorno.

Os que esperam, aflitos, por um segundo turno escoram-se no histórico evento do referendo das armas como a profecia animadora, mas olvidam que, naquela ocasião, somente havia um direito a perder, isto é, não havia um “nano-mensalinho” de contrapeso.

Entrementes, há fatos que trazem notícias reconfortantes, quais sejam, os frutos da arrogância prepotente que nos trazem, gratuitamente, os próprios erros dos seus protagonistas. Neste esforço, quiçá saneador, de ressaltar o problema da corrupção, emerge outro questionamento mais sério, que é o do assalto às instituições.

Precisamente, neste campo, todavia, é que a campanha de Alckmin tem chegado mui tarde, e sonega bater onde mais Lula não pode se esquivar. Alguns exemplos seriam bastante elucidativos, e que bem poderiam ser explorados, enquanto é tempo, ou, que a história permita, no decorrer da campanha do segundo turno:

a) Sobre a questão da segurança: Até agora ninguém recordou que o Presidente da Colômbia, Sr. Álvaro Uribe, veio em visita oficial para pedir encarecidamente ao Brasil que declarasse as FARC como uma organização terrorista; ao contrário, o que o governo brasileiro fez foi dar o desprezo e a resposta cínica de se oferecer a mediar os conflitos, como se as FARC fossem uma legítima representante de uma parcela da população colombiana.

b) Sobre a empolgação de Lula e seus asseclas em visitarem países submetidos às mais atrozes ditaduras do globo, e dali saírem com lições e comentários de “como eles se perduram há quarenta anos e ainda se candidatam à eleição”, ou “que lá tem democracia em excesso”.

c) Sobre a questão do controle da informação: até agora a campanha de Alckmin não recordou o caso Larry Rother. Lembram-se, como naquele tempo, ainda antes de todas as denúncias avassaladoras, como o molusco e cardume estavam autoconfiantes?

d) Sobre a questão do aborto, muito bem lembrada pelo filósofo Olavo de Carvalho: ninguém ainda bateu nos discretos arranjos palacianos de lançar projeto de lei legalizando o aborto, destituídos de qualquer compromisso prévio com o eleitorado – às surdinas - do maior país católico do mundo.

Sobre todas estas questões, o PT e seu cavaleiro apocalíptico, sabiam o que estavam fazendo, e desmascará-los perante o público faz-se mister de maior monta do que apenas ficar no discursinho da corrupção, que se diga, em boa parte, foi neutralizado pelo “somos todos farinha do mesmo saco”.
Os leitores dos Blogs Coligados tem tido contato com a nossa disposição de jamais ocultar estes temas, diferentemente que a grossa parte da mídia tradicional, daí a legitimação em servirmos como fonte de opinião alternativa, mui salutar à saúde da democracia e das instituições.

segunda-feira, setembro 18, 2006

Versão ideológica da Sindrome de Estocolmo

Por Fábio Gigante
De julho até agora, tem-se mostrado um forte repúdio a Israel, devido a guerra em que esta nação, enfrentara o Hezbollah.Ontem vi no UOL, a notícia sobre o boicote de um filme feito por israelenses. Os cineastas alegaram que os festivais de cinema, não estão mostrando os filmes que vem de Israel.Ultimamente vem sendo mostrado um certo ódio sobre tudo o que vem do Ocidente e os principais representantes: EUA, Europa, Israel, Austrália e Japão.
Vem sendo dito que os ocidentais não se importam com valores como solidariedade, caridade, compaixão com os pobres. Esse tipo de discurso recebe um forte apoio das esquerdas de Europa e América Latina.Existe um certo desprezo sobre os valores que a sociedade ocidental carrega, mas não faz muita questão de defendê-los, que seriam: a Democracia Grega, o Direito Romano e a moral Judaico-Cristã.São principalmente esses valores que serviram de orientação para o Ocidente: a liberdade de escolher representantes, de se expressar, de ir e vir a qualquer lugar sem pedir autorização ao Estado, praticar a caridade, sem ser coagido para isso, por que se analisarmos, os anti-ocidentais sempre pedem para a humanidade fazer caridade, mas no fundo querem que esta caridade seja de uma maneira forçada.
Os anti-ocidentais sempre pedem a compaixão de todos, desde que os valores do Ocidente sejam destruídos, assim ajudando diversos tipos de ditadores, radicais políticos e ideológicos, ultra-nacionalistas e comunistas.A esquerda européia e latino-americana sabe que isso pode representar a sua própria destruição no futuro, mas mesmo assim sente uma grande admiração pelos seus algozes.

sexta-feira, setembro 08, 2006

Versões, Fatos e Mentiras

por Hélio Rodrigues Pereira


As grandes revoluções dramáticas do passado são entendidas pelo senso comum como fenômenos claramente reconhecíveis, precedidos por ampla divulgação que anuncia a todos a verdadeira natureza dos acontecimentos.

A leitura superficial fornecida pelos livros de história incute-nos esta impressão, de que a ascensão do nazismo e a revolução cubana, entre outras coisas, já nasceram devidamente identificadas, sugerindo que tais propósitos fossem didaticamente explicados pelos seus líderes nos meios de comunicação.

A verdade é que Hitler não avisou aos alemães que iria fazer a guerra ou exterminar os judeus em seus discursos de campanha, e Castro muito menos avisou publicamente que possuía ideais comunistas. Ambos agiram de maneira dúbia, procurando amenizar os anseios das expectativas públicas que buscavam em suas palavras os esperados sinais de moderação.

Para se ter uma idéia mais exata da ilusão com que o senso coletivo estava mergulhado, e do correspondente grau de cinismo adotado por esses líderes, o primeiro ministro Chamberlain afirmou ser Hitler um homem sensato, sinceramente interessado na paz. O próprio Hitler, por sua vez, dizia que suas intenções eram pacíficas e que repudiava a idéia de guerra na Europa. No mesmo erro incorreu Ghandi, Keynes, e muitos pacifistas que confiavam totalmente nas promessas pacíficas do nazismo. Testemunhos da época dão conta que até mesmo judeus duvidavam das sinistras intenções de Hitler, alguns achavam que pelo fato de este ou aquele membro das SS ter namorada judia era prova de que não iria acontecer nada. Outros de tão incrédulos consideravam esta hipótese absurda.

O Caderno B do Jornal do Brasil no ano de 1936 retratava o nazismo como uma corrente filosófica em busca da perfeição humana. O ponto culminante da mentira generalizada foi quando Hitler, no mês anterior à invasão da Polônia, ridicularizou uma carta enviada por Roosevelt, que lhe pedira para dizer se a soberania de tais e quais nações seriam respeitadas. Hitler leu a carta no parlamento diante das gargalhadas histéricas dos deputados e posteriormente notas diplomáticas foram enviadas pelos países listados – futuramente ocupados - em repúdio ao presidente americano e reafirmando amizade com o Terceiro Reich. O escritor William L. Shirer acrescenta ainda que nenhum dos jornalistas presentes, inclusive ele próprio, notou que a Polônia fora omitida.

Churchill teve que insistir repetidas vezes em mostrar no parlamento uma quantidade imensa de dados militares que eram tediosamente relatados para uma assistência debochada e sonolenta, até finalmente conseguir convencê-los dos planos hostis da Alemanha.

A revolução cubana não ficou por menos. A guerrilha fidelista que combatia em Sierra Maestra não assumia notoriamente suas inclinações ideológicas. Quem tiver o trabalho de consultar os microfilmes e ler as manchetes daquele período, vai perceber que não se associava a guerrilha cubana a idéia de comunismo. O próprio Fidel Castro, mentindo diante das câmeras disse que não era comunista e chegou mesmo a comentar numa outra ocasião que era contra isso. Até mesmo Jesus Carreras, oficial militar e um dos chefes da guerrilha, ficou chocado quando percebeu tendências marxistas em Guevara.

Apesar de toda rede de mentiras, desinformação, dissimulação, foi possível para aqueles que puderam apreender da massa confusa de dados contraditórios um sentido unificador, o sinal inconfundível de uma turbulência que se aproximava, de modo semelhante ao guerreiro solitário que se abstrai dos caóticos sons da floresta e escuta no solo as pisadas de uma cavalaria em movimento.

Todavia, não existe uma fonte segura ao qual possamos nos referir para captar os indícios reveladores do perigo. Ao invés disso existem inúmeros relatos conflitantes entre si, cada qual descrevendo seu mundo de maquinações e acusando a mídia de esconder as provas. Seja tramas envolvendo a industria de armas, infiltração alienígena, planos do governo americano ou sociedades secretas, uma boa quantidade de versões conspiratórias alegam estar apoiadas em provas definitivas que, diante de um observador despreparado, parecem tão verdadeiras quanto as evidências que realmente indicam algo de concreto. Diante de tanta confusão as pessoas costumam reagir com total credulidade, ou total descrença aceitando somente o que as fontes publicamente reconhecidas subscrevem.

Como separar uma coisa da outra ? Como distinguir no meio desse caos, os elementos que verdadeiramente compõe um quadro coerente dos acontecimentos em marcha ? Como saber o que é verdade e o que é fantasia especulativa ? Resposta: Adotando critérios de validade e filtrar o que procede e o que não. Modelos para acuracidade dos dados, dos testemunhos e das fontes podem ser obtidos mediante exemplos bem sucedidos em prever o futuro.
Não é preciso ter um amigo trabalhando em arquivos confidenciais. Basta prestar atenção nos sinais que realmente provaram ser fidedignos ao longo do tempo. Ao invés de estórias criadas por escritores ou denúncias de militantes engajados, coletar aquilo que realmente fundamentaria o trabalho de um historiador. Atas de reuniões, acordos assumidos entre organizações, material interno de partidos, confissões públicas de interesses escusos, atividades parlamentares, dados estatísticos, informes técnicos de autoridades militares, cartas de intenções, depoimentos de dissidentes, e todo tipo de coisa que não se apresenta isoladamente como algo perdido no espaço, mas que complementa um sentido de coerência que se ajusta a um passado histórico sem lacunas, formada por nexos de causalidade resultante de um esforço em não omitir nada.

Reunir estas informações é um dos compromissos dos Blogs Coligados.

domingo, junho 25, 2006

Semana de 18/06 a 01/07 de 2006

Por Edson Carlos de oliveira

Mídia, imparcialmente esquerdista!


Há uma certa maneira de ser imparcial ao descrever um fato: apenas narrar o acontecido sem nenhum viés. Pelo menos assim muitos consideram, mas isso que se dá com uma reportagem de um dado jornalista, não pode ser dito de um jornal ou revista. Pois estes ao buscar narrar apenas uns fatos e não outros ficam parciais.
Vou dar um exemplo real para sairmos do campo abstrato dos princípios. Recentemente, tem-se noticiado pela imprensa o suicídio de três prisioneiros na base naval de Guantámano – localizada na ilha de Cuba. A imprensa, então passou a noticiar o fato como uma verdadeira metralhadora de guerra. Em Muitas notícias os autores procuraram apenas narrar o fato, mostrando como eles morreram e como está havendo uma enorme pressão dentro e fora dos EUA para que se feche a prisão. Mas, os jornais, na totalidade de suas colunas, ao enfocar – imparcialmente – somente este fato podem ser considerados parciais. Por quê? Porque os mesmos “esquecem” de dar espaço para as notícias que informam sobre alguns acontecimentos que ocorrem no mesmo país onde os tais prisioneiros morreram. Em Cuba, no país onde se localiza a tal base naval, um ditador muito conhecido mantém aprisionado milhões de pessoas. Cuba é um imenso presídio. E onde estão os jornais para noticiar isto? Às vezes até noticiam, mas não têm o mesmo esforço.
Mas, isso que se dá com a mídia, também ocorre analogamente a organizações. Por exemplo: a Anistia Internacional (AI), ao saber dos suicídios, pediu ao governo dos EUA permissão para fazer uma investigação independente sobre o fato. Interessante é saber que este mesmo grupo de “direitos-humanos” nada pediu ao ditador de Cuba quando houve a execução de alguns cubanos por tentarem fugir do “paraíso” da ilha-prisão. Também a ONU está aumentando a pressão para que os EUA fechem a base naval, a mesma ONU que está tão intolerante neste caso, nada faz contra os crimes de “direitos-humanos” cometidos por Fidel Castro. Essa é uma imparcialidade parcial. Imparcialmente esquerdista!
A parcialidade não se encontra apenas na notícia, mas na escolha da(s) notícia(s) e a importância que se dá em focalizar mais detidamente umas e não outras.
Não quero aqui fazer um dossiê contra a parcialidade ou imparcialidade de uma notícia ou de um órgão de imprensa – até porque muitos deles mostram sua posição ideológica definida ao leitor -, mas sim mostrar este fato um tanto subtil, onde um jornal, ou uma revista, a primeira vista mostra-se imparcial – sem posição ideológica definida -, mas quando se tem uma visão mais panorâmica da mesma – vendo a importância que ela dá para uns fatos e não para outros-, consegue-se ver aonde ela quer conduzir o leitor.
A Mídia, no geral, é assim, imparcialmente parcial. Mas qual é a parcialidade da Mídia? Sem dúvida é esquerdista. Imparcialmente esquerdista.

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